Lobito tem nos
municípios portugueses do Seixal e Sintra os seus parceiros de geminação.
António de Carvalho Bettencourt é o responsável da cidade que, em
conversa com a “África Hoje”,
revelou que, «na sequência das chuvas pluviais a situação social no
Lobito tornou-se dramática. As estradas esburacadas e as carências
alimentares são preocupantes».
Como
retrata a situação social no município do Lobito?
As grandes quedas pluviais originaram uma situação dramática na nossa
cidade. Cerca de 1600 famílias ficaram desalojadas e, consequentemente,
surgiram carências alimentares. Estradas esburacadas, esgotos sem
capacidade de absorver a quantidade de água que se abateu sobre o município
do Lobito. Temos ainda o problema dos deslocados de guerra que começaram
a chegar das matas, em massa. Milhares chegaram quase de uma só vez.
Isso quer dizer que cria alguns problemas ao nível social.
As
autoridades estão preparadas para acolher essas pessoas?
As cheias apanharam-nos desprevenidos, porque as pessoas começaram a
chegar antes dos acordos de cessar-fogo. Hoje há uma política traçada,
e contamos com o apoio do Ministério da Saúde e organizações não-governamentais.
Actualmente,
um dos problemas da cidade do Lobito reside na questão do alojamento,
porque, além dos desalojados, há ainda a população que regressa das
matas. Há apoios suficientes para tanta gente?
Através do programa de reinserção social, que se prontificou a apoiar
no capítulo da habitação, com chapas de zinco, tendas e outros apoios
esporádicos. Há políticas para apoiarem os municípios.
Que
consequências provocou a queda da ponte rodoviária que liga a cidade
do Lobito a Benguela?
As duas cidades dependem uma da outra, o que originou transtornos muito
grandes, porque muita gente do Lobito trabalha em Benguela e vice-versa.
A linha férrea foi uma das nossas soluções. A ponte faz-nos imensa
falta. Ninguém estava à espera.
Como
está o projecto rodoviário na cidade do Lobito?.
Para este ano, no programa de investimento público, dispomos de uma
determinada quantia para a reparação de estradas, mas que não previa
os danos causados pelas chuvas. O que significa que esta verba não
serve para solucionar os problemas. Há que estabelecer prioridades.
Como
pensa solucionar estes problemas?
O Ministério do Planeamento está a estudar estas soluções porque a
entrega de verbas implica projectos. Há que arranjar uma quantia
adicional.
Qual
é a reacção dos munícipes do Lobito perante a sua Administração? O
que é que exigem mais? O que é que lhe dizem?
Não sei se estão satisfeitos. Sei que os munícipes do Lobito vivem os
mesmos problemas que o administrador. O município depende de outras
instituições. Tentamos responder da melhor maneira as exigências da
população. Mas o povo quer sempre mais. Com as derrocadas de casas,
devido às chuvas, o povo não quer saber se há verba ou não, quer os
problemas resolvidos. Nalguns casos a minha Administração não tem
soluções nem capacidades imediatas para os problemas da população,
porque dependemos de outras instituições.
O
que leva de importante do Congresso da Associação Nacional de Municípios
de Portugal?
O balanço é favorável, porque constatamos uma nova realidade. O nosso
sistema de autarquia limita-se à administração. Portugal tem 25 anos
de experiência autárquica, tem avanços significativos nessa matéria.
A
nossa legislação está a ser analisada. Levamos alguma documentação
que nos interessa e verificamos que há relações que podem ser
aplicadas. Estreitamos relações com os municípios com os quais temos
geminações.
A
ideia de descentralização foi uma das notas dominantes do XIII
Congresso da Associação de Nacional de Municípios Portugueses.
Considera que essa ideia é válida para o panorama político angolano?.
Sem dúvida que sim. A exemplo de Portugal, estamos a dar passos para
conquistar essa descentralização.
Parece-lhe
que a população e a classe política estão preparadas para aceitar
eleições autárquicas?
Sim, se não formos nós, serão outros, é a lei da democracia.
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