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Guilherme Morbey (13.04.1933 1:00 Cazombo, Angola, U 29.10.2001 ca. 9:00 Setúbal, Portugal)
Cada
um que passa por este mundo, têm a sua história, os seus dramas, os seus
sucessos. O “Morbey” como simplesmente era conhecido, muito cedo foi para o Lobito, quando o seu pai Edwin Macauley entrou nos quadros do CFB. Muitos anos depois teve o “Morbey” ali também o seu primeiro emprego. Na sua infância era bem endiabrado, andava quase sempre descalço, ia para escola na Catumbela e contava as rimas nas costas das surras que ele e os seus amigos apanhavam em casa, no esforço inédito das suas famílias que estes brancos de 2ª viessem a tomar juízo e a vir ser prestáveis na sociedade. Quando um dos seus amigos de infância o visitava, sempre ouvia com regozijo as suas peripécias de juventude, que apesar do “cavalo marinho” não deixou que se deitassem às gargalhadas ainda com 40 e poucos. Se bem que o “Morbey” fosse católico e crente, não minto ao dizer que o que lhe dava mais força era a prática do desporto, o que fez até aos seus últimos dias. Com o desporto e muito em especial com a natação do Lobito e em Angola ele foi identificado. O primeiro homem a atravessar a baía do Lobito, o primeiro angolano a participar no jogos olímpicos (Roma 1960), etc.. “Mente sã em corpo são” - o desporto não parava com o exercício físico, mas para ele ainda mais importante era a formação moral do desportista e o exemplo/contribuição para a sociedade em que se encontrava (quem não se lembra das suas escolas de natação com quase 150 crianças e jovens). Tanto como desportista como treinador alimentava o espírito de equipa num desporto de individualistas e tendo grande influencia na juventude Lobitanga. Quando o estado português resolvia não levar o/a nadador/a aos campeonatos nacionais apesar deste/a terem boas chances a medalhas, ele organizava bailes e ia pedir dinheiro aos industriais do Lobito, para que aqueles que tinham confiado nele não fossem desiludidos depois do esforço de um ano e mais de treino. Os amigos do Lobito reconheciam o seu desempenho e os seus nadadores foram pequenos embaixadores orgulhosos do Lobito, de Angola e de Portugal. Associado com o “Morbey” que era um homem bonito, estiveram os seus 4 casamentos pela linha do CFB entre Lobito e Benguela. Dos seus primeiros três casamentos, deixou quatro filhos e até hoje três netos. Se bem que ele tenha tido os seus dramas com as mães, cada filho/a soube que foi muito amado por este pai. As suas preces para que os filhos tivéssemos mais sucesso com os seus casamentos foram ouvidas lá em cima. Em 1980 veio de vêz para Portugal e pela segunda vez foi parar a Setúbal aonde 20 anos antes tinha criado a secção de natação no Clube Naval Setúbalense e inaugurado a primeira e até hoje a única piscina nessa cidade. Em Setúbal ficou viúvo e lutou para criar os dois filhos mais novos desse casamento. O orgulho dele, nesse fase da sua vida, só lhe deixou que muitos poucos amigos lhe dessem uma mão. Os últimos anos em Setúbal, passou como representante por conta própria de artigos mobiliários das fábricas do norte e muito mais ligado para a família. Ele era o “soba” dos Morbeys. Um ataque forte de depressão o levou desta vida. No dia em que o carro funerário pela manhã passou com o seu corpo pelo centro da cidade de Setúbal, vi muita gente perto do mercado (que não tinha visto até à altura) que pararam o seu quaotidiano, tiravam o chapéu, exclamavam “é o senhor Guilherme” apontando para o cortejo e se benziam. Isto não só me arrepiou mas mostrou-me mais uma vez, que ele tinha algo de carismático durante toda a sua vida. Cada
um que passa por este mundo, têm a sua história, os seus dramas, os seus
sucessos. (Guilherme Morbey "junior", Agosto 2003) |