in (Agência Lusa)

 Adeus   

Jorge Perestrelo

 

              JORNALISTA FALECEU AOS 56 ANOS

                                                                  "keké'iss'ó meu?"


Faleceu  esta sexta-feira às 23:00 h em Lisboa, aos 56 anos, Jorge Perestrelo, vítima de enfarte do miocárdio. O jornalista da TSF fez o seu último relato quinta-feira, na Holanda, no jogo entre Sporting e Alkmaar.

Jorge Perestrelo faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, onde foi submetido a uma angioplastia, durante a qual sofreu uma paragem cardíaca irreversível.
«Todas as tentativas de reanimação foram infrutíferas», descreveu o cirurgião cardio-toráxico Manuel Pedro Magalhães, médico e amigo pessoal de Jorge Perestrelo.

Nascido no Lobito, em Angola, Jorge Perestrelo iniciou-se na Rádio Clube do Lobito, há 37 anos. Trabalhou ainda na Rádio Clube do Moxico e na Rádio Comercial em Sá da Bandeira, actual Lubango.
Em 1975 saiu de Angola para o Brasil e, dois anos depois, viajou para Portugal, onde trabalhou no Rádio Clube Português, na Rádio Comercial, na SIC e na TSF, desde a sua fundação, há 17 anos.

 

 

REACÇÕES


Jorge Perestrelo marcou um estilo em Portugal

Perde-se a voz, guardam-se as memórias. O jornalista e locutor desportivo, Jorge Perestrelo, morreu, aos 56 anos, vítima de enfarte de miocárdio. A ideia é unânime entre os amigos. O jornalista mudou o relato e marcou uma época em Portugal.

 

( 14:16 / 07 de Maio 05 )

 

 

 

 Fernando Correia, também relator desportivo da TSF, lembra que o colega falecido «trouxe um estilo ao relato radiofónico em Portugal, que muitas outras pessoas tentaram copiar».
«Sou um homem de rádio, por isso oiço muita rádio e estou a falar não de rádios nacionais, mas de locais, onde por esse país fora há muita gente que tenta copiar aquele estilo exuberante. É muito complicado, porque essas coisas não se copiam, são naturais. Desapareceu o Jorge, desapareceu o estilo e perde-se um grande valor do relato desportivo em Portugal», acrescentou Fernando Correia.
Ninguém ficava indiferente a Perestrelo, diz Emídio Rangel

Emídio Rangel, companheiro na rádio e televisão de Jorge Perestrelo, o locutor conhecido pelas expressões "Ripa na Rapaqueca!" ou "Qué qué isso, meu?!", fala de uma pessoa a que ninguém ficava indiferente.
«Jorge Perestrelo era inconfundível, mesmo aqueles que não gostavam dele por razões muito diversas, que têm que ver com a vida, com o feitio dele, mesmo esses não deixam de reconhecer que ele era um talentoso relator desportivo», disse.
«Não pode deixar ninguém indiferente, sobretudo da rádio, mas também da comunicação social e do jornalismo», prosseguiu Emídio Rangel.
Perestrelo era um profissional de «corpo inteiro»

Bernardino Barros aponta igualmente este aspecto e diz que Jorge Perestrelo, com quem trabalhou na TSF, era alguém que se amava ou odiava, mas que não passava despercebido.
«Era um profissional de corpo inteiro, as pessoas gostariam ou não do estilo próprio que ele trouxe para a rádio, da maneira de fazer os relatos que trouxe de Angola, alegre, às vezes até demasiado extrovertida», lembrou.
«Era o seu estilo e manteve-o. Era isso que admirava no Jorge. Trabalhei com ele durante 14 anos, era difícil às vezes trabalhar com ele. Ao nível da amizade era uma pessoa frontal, egocêntrico sem dúvida, mas amigo do amigo, ou seja, era incapaz de dizer a alguém que gostava dele não gostando», acrescentou Bernardino Barros.
 


Carlos Severino lembra «estilo irreverente»
Carlos Severino, assessor de imprensa do Sporting e antigo colega de trabalho na TSF do jornalista Jorge Perestrelo, considerou que a morte do jornalista significa a perda de «um estilo provocante» e «irreverente».
«Não deixava ninguém indiferente e vai perdurar no tempo a memória relativamente ao Jorge Perestrelo, porque ele era realmente diferente. Um grande companheiro de equipa e amigo», assegurou.

António Macedo diz que Perestrelo marcou uma época

Os amigos guardam recordações do jornalista. É o caso de António Macedo.
«Pessoalmente pelo estilo bonacheirão e bem disposto, profissionalmente pela marca indelével que deixou nesse trabalho único de relatar desporto, nomeadamente o futebol, que é o dom de algumas pessoas e ele tinha-o elevado ao máximo», defendeu.
«Marcou uma época para a rádio portuguesa, tão marcante como foi a do Artur Agostinho, Amadeu José de Freitas e o Nuno Brasa, um pouco mais tarde com o Carlos Cruz e agora com o Jorge Perestrelo, juntamente com o Fernando Correia», disse.

Carlos Daniel realça autenticidade

Carlos Daniel, antigo colega de trabalho de Perestrelo, recorda a autenticidade que marcou o estilo único do locutor de futebol.
«Ele dizia tudo aquilo em que acreditava, talvez seja o traço mais bonito e importante em toda a carreira dele, mesmo quando não concordávamos com o que estava a dizer, podíamos ter a certeza de que estava a afirmar o que mais acreditava», afirmou este amigo.
 

 

 

 

                                                                                                            voltar